Apresentação
O Manual Técnico do MICC™ estabelece as regras necessárias para transformar dados cadastrais, comerciais, operacionais, logísticos, financeiros e relacionais em informações confiáveis sobre o comportamento dos clientes. É a camada que traduz a estratégia do MICC — Arquitetura em critérios objetivos, calculáveis e auditáveis.
Este documento define:
- dados necessários;
- critérios de qualidade;
- regras de identificação;
- classificações dos clientes;
- cálculos de consumo e recorrência;
- estágios de relacionamento;
- fórmulas dos Scores;
- níveis de risco;
- modelos de previsão;
- critérios de prioridade;
- geração da PMA™;
- regras de atualização;
- níveis de confiança;
- tratamento de exceções;
- validação dos resultados.
O Manual Técnico não descreve como os colaboradores devem executar as ações. Essa responsabilidade será do Manual Operacional do MICC™.
Como os dados serão interpretados, como os clientes serão classificados e como o sistema chegará às suas conclusões.
Objetivo técnico
O objetivo técnico do MICC™ é criar uma metodologia padronizada para responder, com base em dados:
- Quem é o cliente?
- Em qual mercado ele atua?
- O que ele compra?
- Quanto compra?
- Com que frequência compra?
- Qual é seu ciclo provável?
- Quando deverá comprar novamente?
- Qual é seu nível de regularidade?
- Seu consumo está crescendo ou diminuindo?
- Qual é sua urgência predominante?
- Qual é seu nível de fidelidade?
- Qual é seu risco de evasão?
- Qual é seu valor econômico?
- Qual é seu potencial de crescimento?
- Qual é a força do relacionamento?
- Qual ação deve ser executada?
- Qual é o nível de confiança dessa conclusão?
Princípio de implementação
As fórmulas definidas neste manual constituem a versão inicial baseada em regras de negócio. Elas não devem ser apresentadas como modelos matemáticos definitivos.
Os pesos, limites e critérios deverão ser calibrados progressivamente utilizando:
- histórico real das unidades;
- comportamento por mercado;
- tipo de produto;
- região;
- sazonalidade;
- resultados das ações;
- acurácia das previsões;
- comparação entre previsão e comportamento real.
O MICC™ deve evoluir por três estágios:
Estágio 1 — Regras de negócio
Cálculos e classificações definidos pela metodologia GLP 360º.
Estágio 2 — Calibração estatística
Ajuste de pesos e limites com base no histórico das unidades.
Estágio 3 — Modelos preditivos
Uso de estatística avançada e inteligência artificial após existir volume, qualidade e consistência suficientes de dados.
Taxonomia oficial dos clientes
4.1. Mercados
O MICC™ reconhece três mercados principais.
Consumidor Final — B2C
Compra GLP para consumo próprio ou familiar.
Ponto de Consumo — B2B
Utiliza GLP como insumo para funcionamento, produção ou atendimento. Inclui oficialmente todos os clientes registrados anteriormente como:
- Grande Consumidor;
- Comércio;
- Cliente comercial;
- Ponto comercial;
- Empresa consumidora.
Revenda — B2B2C
Compra GLP para comercialização a terceiros.
4.2. Modalidade de atendimento
A modalidade identifica como o produto chega ao cliente.
- Entrega;
- Retirada na Portaria;
- Retirada por terceiro;
- Abastecimento programado;
- Rota.
4.3. Regra oficial para Portaria
Portaria não deve ser tratada automaticamente como mercado. Um pedido de Portaria deve possuir duas informações distintas:
Mercado do cliente
- Consumidor Final;
- Ponto de Consumo;
- Revenda.
Modalidade
- Retirada na Portaria.
Quando não for possível identificar o mercado, o registro deve receber:
Mercado pendente de classificação + Modalidade Portaria.
4.4. Regra oficial para Rota
Rota não é um perfil de cliente. Rota é um modelo comercial e logístico de abastecimento. O cliente atendido por Rota pode ser:
- Ponto de Consumo;
- Revenda;
- excepcionalmente Consumidor Final coletivo ou institucional.
A classificação deve registrar:
Mercado: Revenda · Modelo de abastecimento: Rota · Periodicidade: Semanal · Modalidade: Entrega programada
Estrutura mínima de dados
O MICC™ deverá trabalhar com cinco grupos de informações.
5.1. Dados cadastrais
| Campo | Obrigatoriedade | Regra |
|---|---|---|
| Código único do cliente | Obrigatório | Não pode ser reutilizado |
| Nome ou razão social | Obrigatório | Padronizar caracteres |
| Telefone principal | Obrigatório | Normalizar DDD e número |
| CPF ou CNPJ | Recomendado | Armazenamento protegido |
| Pessoa física ou jurídica | Obrigatório | PF ou PJ |
| Mercado | Obrigatório | CF, PC ou Revenda |
| Segmento | Recomendado | Padaria, restaurante etc. |
| Endereço | Obrigatório para entrega | Padronizar |
| Bairro/localidade | Obrigatório | Usar cadastro territorial |
| Cidade | Obrigatório | Padronizar município |
| Unidade responsável | Obrigatório | Vinculação operacional |
| Data de cadastro | Obrigatório | Data e hora |
| Origem do cadastro | Recomendado | WhatsApp, ligação, campanha etc. |
5.2. Dados do pedido
- Código do pedido;
- Código do cliente;
- Data e hora;
- Produto;
- Quantidade;
- Valor unitário;
- Desconto;
- Valor total;
- Canal;
- Modalidade;
- Forma de pagamento;
- Status;
- Unidade;
- Atendente;
- Consultor;
- Entregador;
- Motivo do cancelamento, quando houver.
5.3. Dados operacionais
- Horário de entrada;
- Horário de início do atendimento;
- Horário do repasse;
- Horário de saída;
- Horário da entrega;
- TIA™;
- TIR™;
- TIE™;
- tempo total;
- atraso;
- tentativa de entrega;
- devolução;
- ocorrência;
- distância;
- região.
5.4. Dados de relacionamento
- Contato realizado;
- data e hora;
- canal;
- motivo;
- campanha;
- mensagem;
- resposta;
- interesse;
- resultado;
- pesquisa;
- NPS;
- reclamação;
- elogio;
- solução;
- conversão.
5.5. Dados financeiros e comerciais
- Preço de tabela;
- preço praticado;
- desconto;
- margem estimada;
- prazo;
- inadimplência;
- negociação;
- condição comercial;
- política de volume;
- custo logístico;
- custo de aquisição;
- receita acumulada.
Identidade única do cliente
6.1. Objetivo
Evitar que o mesmo cliente seja interpretado como várias pessoas ou empresas diferentes. A duplicidade pode distorcer:
- frequência;
- ciclo de compra;
- ticket;
- valor;
- risco;
- fidelidade;
- previsão de recompra.
6.2. Chaves fortes de identificação
São consideradas chaves fortes:
- CPF;
- CNPJ;
- código externo confirmado;
- telefone validado;
- contrato;
- inscrição fiscal.
Quando duas fichas possuem o mesmo CPF ou CNPJ válido, devem ser tratadas como o mesmo cliente, salvo comprovação contrária.
6.3. Chaves intermediárias
- mesmo telefone;
- mesmo nome e endereço;
- mesma razão social;
- mesmo responsável;
- mesmo cadastro fiscal parcial;
- mesmo local comercial.
6.4. Chaves fracas
- nomes semelhantes;
- mesmo bairro;
- mesmo primeiro nome;
- mesmo entregador;
- mesmo horário de compra.
Chaves fracas não podem provocar fusão automática.
6.5. Nível de confiança da identidade
Identidade confirmada
Existe CPF, CNPJ ou confirmação humana.
Identidade provável
Há forte combinação de telefone, nome e endereço.
Identidade possível
Existem semelhanças, mas não há segurança suficiente.
Identidade não confiável
Cadastro genérico, incompleto ou compartilhado.
6.6. Cadastros genéricos
Registros como:
- Cliente Diversos;
- Consumidor Diverso;
- Portaria;
- Cliente;
- Venda Balcão;
- Atacado;
- Gas do Povo;
- Entregador;
- Consumidor Final;
não devem alimentar individualmente os cálculos de recorrência e fidelidade.
Esses registros podem alimentar:
- volume da unidade;
- demanda por horário;
- faturamento;
- produtividade operacional;
- modalidade de compra.
Não podem alimentar, sem identificação individual:
- ciclo pessoal;
- previsão de recompra;
- risco individual;
- fidelidade;
- relacionamento;
- valor vitalício individual.
Índice de Qualidade do Dado — IQD™
Embora não seja um dos cinco Scores centrais, o MICC™ deve calcular a qualidade da informação disponível. Nenhuma inteligência será melhor que o dado que a alimenta.
7.1. Componentes
| Componente | Peso |
|---|---|
| Identidade confiável (IC) | 25% |
| Cadastro completo (CC) | 20% |
| Profundidade histórica (PH) | 20% |
| Consistência dos registros (CR) | 15% |
| Atualidade dos dados (AD) | 10% |
| Integração entre áreas (IA) | 10% |
7.2. Fórmula
Cada componente varia de 0 a 100.
7.3. Classificação
| IQD | Classificação |
|---|---|
| 90 a 100 | Excelente |
| 75 a 89 | Bom |
| 60 a 74 | Moderado |
| 40 a 59 | Baixo |
| 0 a 39 | Crítico |
Scores calculados com IQD inferior a 40 devem ser apresentados com alerta:
Baixa confiabilidade por insuficiência ou inconsistência de dados.
Variáveis fundamentais
São as grandezas primárias das quais derivam todas as classificações e Scores.
8.1. Recência
Quantidade de dias desde a última compra concluída.
Pedidos cancelados não são considerados compras.
8.2. Frequência
Quantidade de compras concluídas em determinado período.
Também devem existir:
- frequência em 60 dias;
- frequência em 90 dias;
- frequência em 180 dias;
- frequência em 365 dias.
8.3. Ticket médio
8.4. Volume médio por pedido
O cálculo deve ser realizado por produto e em equivalente padronizado.
8.5. Faturamento acumulado
8.6. Intervalo entre compras
Para cada sequência de compras:
8.7. Ciclo médio
O ciclo médio é sensível a valores extremos. Por isso, o MICC™ deverá priorizar a mediana.
8.8. Ciclo típico
O ciclo típico será a referência principal para recompra e inatividade.
8.9. Requisitos para ciclo individual
O cálculo individual será considerado confiável quando houver:
- no mínimo 3 compras concluídas;
- no mínimo 2 intervalos;
- identidade confiável;
- ausência de duplicidade evidente.
Com apenas 2 compras, o sistema poderá calcular ciclo provisório. Com 1 compra, deverá usar referência coletiva.
Ciclo de referência
Quando não houver histórico individual suficiente, o MICC™ utilizará um ciclo de referência hierárquico.
Ordem de prioridade
- Cliente individual;
- Segmento + produto + unidade;
- Mercado + produto + unidade;
- Mercado + produto + cidade;
- Mercado + produto + região;
- Referência geral da empresa.
Exemplo: um novo restaurante sem histórico individual deverá receber inicialmente o ciclo mediano de:
Restaurantes + P13 + Unidade de origem.
O ciclo deverá ser substituído pelo ciclo individual quando houver dados suficientes.
Regularidade de compra
10.1. Coeficiente de variação
Quanto menor o CV, maior a regularidade.
10.2. Score de regularidade
Exemplos:
| CV | Regularidade |
|---|---|
| 0,10 | 90 |
| 0,25 | 75 |
| 0,50 | 50 |
| 0,80 | 20 |
| ≥ 1,00 | 0 |
10.3. Classificação
| Score | Classificação |
|---|---|
| 85 a 100 | Muito regular |
| 70 a 84 | Regular |
| 50 a 69 | Moderadamente regular |
| 30 a 49 | Irregular |
| 0 a 29 | Muito irregular |
Tendência de consumo
O MICC™ deverá comparar períodos equivalentes.
11.1. Tendência de volume
11.2. Tendência de faturamento
11.3. Classificação inicial
| Variação | Classificação |
|---|---|
| Acima de +25% | Crescimento forte |
| +10% a +24,99% | Crescimento |
| −9,99% a +9,99% | Estável |
| −10% a −24,99% | Queda |
| Abaixo de −25% | Queda forte |
O sistema deve considerar sazonalidade antes de interpretar variações.
Temporalidade
O MICC™ deverá identificar padrões por:
- hora;
- faixa horária;
- dia da semana;
- semana do mês;
- quinzena;
- mês;
- feriado;
- período sazonal.
12.1. Faixas iniciais para Consumidor Final
- Madrugada: 00h00–06h29;
- Início da manhã: 06h30–08h59;
- Pico diurno: 09h00–13h59;
- Tarde: 14h00–16h59;
- Pico noturno: 17h00–20h30;
- Encerramento: após 20h30.
12.2. Faixas iniciais para Ponto de Consumo
- Preparação matinal: 06h30–10h00;
- Operação diurna: 10h01–16h59;
- Preparação noturna: 17h00–19h00;
- Operação noturna: após 19h00.
As faixas são referências iniciais e deverão ser calibradas por segmento. Uma padaria possui comportamento diferente de uma pizzaria.
12.3. Horário predominante
Uma faixa será considerada predominante quando concentrar:
- pelo menos 40% das compras; ou
- percentual 15 pontos superior à segunda faixa.
Caso contrário, o perfil será classificado como variável.
Perfil de urgência
A urgência não deve ser presumida apenas pelo mercado. Ela deve ser inferida por comportamento.
13.1. Indicadores
- compra próxima ao encerramento;
- solicitações de entrega imediata;
- repetição de contato;
- cancelamento por demora;
- baixo tempo entre pedido e necessidade declarada;
- preferência sistemática pelo fornecedor mais rápido;
- ruptura operacional;
- ausência de compra preventiva.
13.2. Classificações
Emergencial
A falta do produto já está afetando a residência ou operação.
Urgente
O produto está acabando ou existe necessidade imediata.
Reativo
Compra somente quando percebe a falta.
Preventivo
Compra antes da ruptura.
Programado
Existe agenda ou frequência planejada.
13.3. Score de urgência
Cada componente varia de 0 a 100.
Sensibilidade comercial
A sensibilidade deve ser analisada em dimensões separadas.
- Sensibilidade ao preço;
- sensibilidade ao prazo;
- sensibilidade à rapidez;
- sensibilidade à forma de pagamento;
- sensibilidade ao relacionamento;
- sensibilidade à disponibilidade.
14.1. Sensibilidade ao preço
Considera:
- pedidos cancelados por preço;
- solicitações de desconto;
- compras em promoção;
- redução após reajuste;
- mudança para Portaria;
- comparação com concorrentes;
- negociação frequente.
Classificação
- Muito alta;
- alta;
- moderada;
- baixa;
- orientado por valor.
Estágios de relacionamento
Os estágios devem considerar o ciclo esperado. Defina:
15.1. Cliente Novo
Critérios iniciais:
- primeira compra recente;
- ainda não possui ciclo individual confiável;
- até 45 dias desde o primeiro pedido ou limite definido pelo mercado.
15.2. Cliente Ativo
O cliente está dentro de sua janela esperada.
15.3. Cliente em Observação
O ciclo começou a exceder o padrão.
15.4. Cliente em Risco
O atraso em relação ao ciclo é relevante.
15.5. Cliente Inativo
Ultrapassou significativamente o comportamento esperado.
15.6. Cliente Perdido
A classificação também deverá considerar:
- tempo absoluto sem compra;
- mercado;
- segmento;
- produto;
- sazonalidade;
- relacionamento anterior.
15.7. Cliente Recuperado
Cliente que realizou nova compra após ter sido classificado como Inativo ou Perdido. O status Recuperado deve permanecer por um período de acompanhamento. Sugestão inicial:
- Consumidor Final: até 90 dias;
- Ponto de Consumo: três ciclos;
- Revenda: três ciclos de abastecimento.
Classificação de frequência
A frequência deve ser relativa ao mercado e ao segmento.
Categorias
- Ocasional;
- baixa frequência;
- frequência moderada;
- frequente;
- muito frequente.
A classificação deve utilizar percentis.
Regra inicial
| Percentil dentro do segmento | Classificação |
|---|---|
| Até P20 | Ocasional |
| P21 a P40 | Baixa frequência |
| P41 a P70 | Moderada |
| P71 a P90 | Frequente |
| Acima de P90 | Muito frequente |
Não se deve comparar diretamente um consumidor residencial com uma padaria.
Classificação de valor
O valor deve considerar margem, e não apenas faturamento.
Categorias
- Baixo valor;
- médio valor;
- alto valor;
- estratégico.
Regra inicial por percentis
| Percentil de contribuição | Classificação |
|---|---|
| Até P40 | Baixo |
| P41 a P75 | Médio |
| P76 a P95 | Alto |
| Acima de P95 | Estratégico |
Um cliente também poderá ser classificado como estratégico por regra gerencial, mesmo sem estar no maior percentil, quando possuir:
- importância territorial;
- influência comercial;
- contrato relevante;
- papel logístico;
- potencial de expansão;
- referência regional.
SCR™ — Score de Comportamento de Recompra
18.1. Objetivo
Estimar a probabilidade de o cliente realizar nova compra dentro de uma janela definida.
18.2. Componentes
| Componente | Peso |
|---|---|
| Proximidade do ciclo esperado (PC) | 35% |
| Frequência histórica (FH) | 20% |
| Regularidade (REG) | 20% |
| Tendência de consumo (TC) | 10% |
| Engajamento recente (ER) | 10% |
| Sazonalidade (SAZ) | 5% |
18.3. Proximidade do ciclo
Defina: D = dias desde a última compra; C = ciclo típico; σ = tolerância do ciclo.
Esse cálculo gera pontuação maior quando o cliente se aproxima do momento típico de recompra.
18.4. Fórmula do SCR™
18.5. Classificação
| SCR | Probabilidade |
|---|---|
| 85 a 100 | Muito alta |
| 70 a 84 | Alta |
| 50 a 69 | Moderada |
| 30 a 49 | Baixa |
| 0 a 29 | Muito baixa |
O SCR deve sempre ser exibido com uma janela:
SCR 82 — Alta probabilidade de recompra nos próximos 5 dias.
SRE™ — Score de Risco de Evasão
19.1. Objetivo
Identificar a probabilidade de afastamento, perda ou migração.
19.2. Componentes
| Componente | Peso |
|---|---|
| Excesso do ciclo (EC) | 30% |
| Queda de frequência (QF) | 20% |
| Queda de volume (QV) | 15% |
| Experiência negativa (EN) | 15% |
| Redução de engajamento (RE) | 10% |
| Cancelamentos e falhas (CF) | 10% |
19.3. Excesso do ciclo
19.4. Fórmula
19.5. Classificação
| SRE | Risco |
|---|---|
| 0 a 19 | Muito baixo |
| 20 a 39 | Baixo |
| 40 a 59 | Moderado |
| 60 a 79 | Alto |
| 80 a 100 | Crítico |
19.6. Regras de agravamento
O risco poderá subir uma categoria quando ocorrer:
- reclamação grave não resolvida;
- cancelamento recorrente por demora;
- queda abrupta de volume;
- cliente estratégico fora do ciclo;
- evidência confirmada de compra no concorrente;
- perda de contrato;
- ruptura de relacionamento.
SVC™ — Score de Valor do Cliente
20.1. Objetivo
Mensurar a importância econômica atual e histórica.
20.2. Componentes
| Componente | Peso |
|---|---|
| Margem de contribuição (MC) | 30% |
| Receita líquida (RL) | 20% |
| Frequência (FR) | 15% |
| Ticket/volume (TV) | 10% |
| Tempo de relacionamento (TR) | 10% |
| Eficiência operacional (EO) | 10% |
| Adimplência (AD) | 5% |
20.3. Normalização
Cada variável deve ser normalizada dentro de:
- mercado;
- segmento;
- unidade;
- período.
Recomenda-se utilizar percentis. Exemplo:
20.4. Fórmula
20.5. Classificação
| SVC | Valor |
|---|---|
| 0 a 39 | Baixo |
| 40 a 64 | Médio |
| 65 a 84 | Alto |
| 85 a 100 | Estratégico |
SPC™ — Score de Potencial de Crescimento
21.1. Objetivo
Estimar quanto o cliente ainda pode ampliar seu consumo ou relacionamento.
21.2. Componentes
| Componente | Peso |
|---|---|
| Diferença entre consumo atual e potencial (GP) | 30% |
| Tendência recente (TR) | 15% |
| Potencial do segmento (PS) | 15% |
| Capacidade operacional estimada (CO) | 15% |
| Oportunidade de mix (OM) | 10% |
| Potencial territorial (PT) | 10% |
| Engajamento comercial (EC) | 5% |
21.3. Gap de potencial
O consumo potencial poderá ser estimado por:
- capacidade declarada;
- número de equipamentos;
- tamanho do estabelecimento;
- produção;
- comparação com clientes semelhantes;
- volume médio do segmento;
- histórico máximo do próprio cliente.
21.4. Fórmula
21.5. Classificação
| SPC | Potencial |
|---|---|
| 0 a 29 | Baixo |
| 30 a 54 | Moderado |
| 55 a 79 | Alto |
| 80 a 100 | Estratégico |
SER™ — Score de Engajamento e Relacionamento
22.1. Objetivo
Mensurar a força do vínculo entre cliente e empresa.
22.2. Componentes
| Componente | Peso |
|---|---|
| Recorrência (REC) | 25% |
| Resposta aos contatos (RC) | 20% |
| Satisfação (SAT) | 20% |
| Tempo de relacionamento (TR) | 15% |
| Conversão de campanhas (CC) | 10% |
| Indicações e interações positivas (IP) | 10% |
22.3. Fórmula
22.4. Classificação
| SER | Relacionamento |
|---|---|
| 0 a 29 | Fraco |
| 30 a 49 | Baixo |
| 50 a 69 | Moderado |
| 70 a 84 | Forte |
| 85 a 100 | Muito forte |
Score MICC™
O Score MICC™ deve ser apresentado como um painel multidimensional. Exemplo:
| Score | Resultado |
|---|---|
| SCR™ | 81 — Recompra alta |
| SRE™ | 67 — Risco alto |
| SVC™ | 88 — Estratégico |
| SPC™ | 74 — Potencial alto |
| SER™ | 42 — Relacionamento baixo |
Interpretação
Esse cliente:
- possui elevada possibilidade de comprar;
- possui alto valor;
- apresenta potencial;
- mas está em risco e possui relacionamento fraco.
A prioridade não deve ser apenas vender. A PMA™ deve buscar proteger o relacionamento.
Índice de Confiança da Análise — ICA™
Toda previsão ou Score deverá possuir um nível de confiança.
24.1. Componentes
| Componente | Peso |
|---|---|
| IQD™ | 30% |
| Número de compras (NC) | 20% |
| Tempo de histórico (TH) | 15% |
| Regularidade (REG) | 15% |
| Identidade confirmada (IC) | 10% |
| Atualidade (AT) | 10% |
24.2. Classificação
| ICA | Confiança |
|---|---|
| 85 a 100 | Muito alta |
| 70 a 84 | Alta |
| 50 a 69 | Moderada |
| 30 a 49 | Baixa |
| 0 a 29 | Insuficiente |
Previsões com confiança insuficiente não devem gerar automações sem aprovação humana.
Modelos analíticos
25.1. Modelo descritivo
Responde:
- o que aconteceu;
- quanto foi comprado;
- quando;
- onde;
- por qual canal;
- com qual valor.
25.2. Modelo diagnóstico
Investiga:
- por que o volume caiu;
- por que o cliente cancelou;
- por que aumentou o intervalo;
- por que determinado bairro apresenta atraso;
- por que uma campanha não converteu.
25.3. Modelo comportamental
Identifica:
- hábitos;
- padrões;
- frequência;
- urgência;
- regularidade;
- preferência;
- sensibilidade.
25.4. Modelo preditivo
Estima:
- próxima compra;
- risco de evasão;
- volume esperado;
- possibilidade de resposta;
- potencial de recuperação.
25.5. Modelo prescritivo
Recomenda:
- canal;
- momento;
- abordagem;
- prioridade;
- responsável;
- oferta;
- PMA™.
Previsão da próxima compra
26.1. Previsão simples
26.2. Janela de recompra
26.3. Previsão por dia da semana
Quando mais de 50% das compras ocorrerem no mesmo dia da semana, a previsão deverá ajustar a data para o dia predominante mais próximo.
26.4. Previsão por horário
Quando houver horário predominante, a PMA™ deverá recomendar contato antes da faixa habitual de compra. Exemplo:
- compra predominante: 10h às 12h;
- contato recomendado: 08h30 às 09h30.
Probabilidade de recuperação
A recuperação deve considerar:
- valor histórico;
- tempo de inatividade;
- regularidade anterior;
- motivo da perda;
- experiência anterior;
- respostas recentes;
- sensibilidade comercial;
- relacionamento;
- disponibilidade atual.
Fórmula inicial
Em que:
- VH = valor histórico;
- RA = regularidade anterior;
- MR = motivo recuperável;
- ER = engajamento recente;
- RR = relacionamento anterior;
- OF = adequação da oferta.
PMA™ — Próxima Melhor Ação
28.1. Regra central
A PMA™ deve resultar da combinação de:
- mercado;
- estágio;
- SCR™;
- SRE™;
- SVC™;
- SPC™;
- SER™;
- urgência;
- experiência;
- disponibilidade operacional;
- confiança da análise.
28.2. Matriz inicial de decisão
| Condição | PMA™ sugerida |
|---|---|
| SCR alto + SRE baixo | Lembrete preventivo |
| SCR alto + SRE alto | Contato humano prioritário |
| SVC alto + SRE alto | Ação de retenção imediata |
| SPC alto + SER alto | Oferta de expansão |
| SPC alto + SER baixo | Visita ou diagnóstico |
| Inativo + recuperação alta | Campanha de recuperação |
| Reclamação aberta | Resolver antes de vender |
| Ponto de Consumo perto do ciclo | Antecipar abastecimento |
| Revenda com queda de volume | Análise comercial e visita |
| Cliente novo | Onboarding e pós-venda |
| Recuperado | Acompanhamento reforçado |
| IQD baixo | Atualizar cadastro |
Prioridade da PMA™
29.1. Fórmula inicial
29.2. Classificação
| Pontuação | Prioridade |
|---|---|
| 0 a 19 | Informativa |
| 20 a 39 | Baixa |
| 40 a 59 | Moderada |
| 60 a 79 | Alta |
| 80 a 100 | Crítica |
Regras de bloqueio da PMA™
Uma PMA™ não deverá ser executada automaticamente quando:
- houver reclamação grave aberta;
- o cliente tiver solicitado não receber mensagens;
- houver restrição legal;
- os dados de contato forem inválidos;
- o ICA™ for insuficiente;
- existir negociação em andamento;
- houver risco de conflito entre CIA™, CIV™ e CRI™;
- o cliente já tiver sido abordado acima da frequência permitida;
- o estoque estiver indisponível;
- a unidade não possuir capacidade de entrega.
Controle de pressão de contato
O MICC™ deve impedir excesso de comunicação.
Limites iniciais
Consumidor Final
- máximo de 2 contatos comerciais por ciclo, salvo solicitação;
- pós-venda não conta como oferta;
- reclamação deve gerar atendimento, não campanha.
Ponto de Consumo
- frequência definida por carteira e ciclo;
- contatos preventivos podem ser mais frequentes;
- evitar contatos repetidos por áreas diferentes.
Revenda
- contato conforme agenda comercial;
- registro obrigatório das negociações;
- um responsável principal pela carteira.
Experiência e impacto na recompra
O MICC™ deverá relacionar experiência operacional com comportamento posterior.
Indicadores
- recompra após entrega no prazo;
- recompra após atraso;
- intervalo após reclamação;
- evasão após cancelamento;
- recuperação após solução;
- variação de consumo após mudança de preço;
- desempenho por atendente;
- desempenho por entregador.
32.1. Faixas TIA™
Referência inicial:
- Excelente: até 1 minuto;
- Aceitável: acima de 1 até 2 minutos;
- Atenção: acima de 2 até 5 minutos;
- Crítico: acima de 5 minutos.
32.2. Faixas TIR™
- Excelente: até 1 minuto;
- Aceitável: acima de 1 até 2 minutos;
- Atenção: acima de 2 até 5 minutos;
- Crítico: acima de 5 minutos.
32.3. Faixas TIE™
- Verde: até 19 minutos;
- Amarelo: 20 a 24 minutos;
- Vermelho: 25 minutos ou mais.
As faixas devem considerar modalidade, região, distância e tipo de operação.
Cancelamentos
Todo cancelamento deve possuir motivo padronizado.
Categorias
- preço;
- demora no atendimento;
- demora no repasse;
- demora na entrega;
- cliente desistiu;
- comprou no concorrente;
- endereço não localizado;
- indisponibilidade;
- erro no pedido;
- problema com pagamento;
- duplicidade;
- fraude;
- motivo não informado.
Cancelamento sem motivo reduz a qualidade analítica.
Classificação de cliente fiel
Um cliente não deve ser considerado fiel apenas pelo tempo de cadastro.
Critérios iniciais:
- histórico mínimo;
- frequência consistente;
- regularidade;
- recompra;
- baixa evasão;
- relacionamento positivo;
- ausência de dependência exclusiva de desconto.
Regra inicial
Cliente Fiel:
- SER™ ≥ 70;
- SRE™ < 40;
- pelo menos 4 compras;
- regularidade ≥ 60;
- permanência mínima compatível com o mercado.
Classificação de cliente estratégico
Um cliente poderá ser estratégico por:
- SVC™ ≥ 85;
- SPC™ ≥ 80;
- relevância territorial;
- contrato;
- influência;
- potencial de expansão;
- importância logística;
- concentração de volume;
- papel de referência.
A classificação manual deve registrar:
- responsável;
- justificativa;
- data;
- prazo de revisão.
Segmentação de Pontos de Consumo
O Ponto de Consumo deverá possuir subsegmento. Exemplos:
- Padaria;
- restaurante;
- pizzaria;
- lanchonete;
- churrascaria;
- hotel;
- pousada;
- hospital;
- escola;
- cozinha industrial;
- confeitaria;
- food truck;
- mercado;
- açougue;
- indústria;
- evento;
- instituição.
Cada segmento poderá possuir:
- ciclo de referência;
- horários;
- produtos;
- volume;
- urgência;
- potencial;
- abordagem;
- indicadores específicos.
Segmentação de Consumidores Finais
Possíveis classificações:
- Residencial individual;
- família pequena;
- família média;
- família numerosa;
- condomínio;
- cliente Portaria;
- cliente de outra cidade;
- beneficiário de programa social;
- cliente eventual;
- cliente recorrente;
- cliente preventivo;
- cliente emergencial.
As classificações sensíveis devem respeitar privacidade e finalidade legítima.
Segmentação de Revendas
- Pequena revenda;
- média revenda;
- grande revenda;
- revenda urbana;
- revenda rural;
- revenda de rota;
- multibandeira;
- bandeirada;
- cliente ocasional;
- cliente de estoque;
- cliente estratégico;
- revenda em expansão.
Tratamento de sazonalidade
A comparação deve considerar períodos equivalentes. Exemplos:
- mês contra mesmo mês do ano anterior;
- dia da semana contra mesmo dia;
- período de festas;
- férias;
- estação chuvosa;
- datas religiosas;
- eventos locais;
- sazonalidade de restaurantes e hotéis.
Uma queda sazonal não deve ser automaticamente classificada como evasão.
Regras de atualização
Em tempo real
Atualizar após:
- pedido;
- cancelamento;
- entrega;
- pagamento;
- reclamação;
- contato;
- alteração cadastral.
Atualização diária
- estágios;
- recompra;
- risco;
- PMAs™;
- prioridades.
Atualização semanal
- tendências;
- percentis;
- benchmarks internos;
- potenciais.
Atualização mensal
- pesos;
- segmentos;
- indicadores;
- desempenho dos modelos.
Auditoria
Toda decisão do MICC™ deverá registrar:
- data e hora;
- regra aplicada;
- versão da regra;
- dados utilizados;
- resultado;
- Score anterior;
- Score novo;
- PMA™ gerada;
- responsável pela execução;
- resultado da ação.
Validação dos modelos
42.1. Recompra
Comparar:
- compras previstas;
- compras realizadas;
- janela prevista;
- erro médio em dias.
Erro absoluto médio
42.2. Risco de evasão
Avaliar:
- clientes marcados em risco;
- quantos realmente ficaram inativos;
- quantos permaneceram ativos;
- falsos positivos;
- falsos negativos.
42.3. PMA™
Avaliar:
- ações geradas;
- executadas;
- respondidas;
- convertidas;
- receita gerada;
- clientes recuperados;
- custo da ação.
Indicadores de precisão
- precisão da previsão de recompra;
- erro médio em dias;
- taxa de acerto do risco;
- taxa de recuperação;
- conversão da PMA™;
- retorno financeiro;
- redução da evasão;
- aumento da recorrência;
- aumento do ticket;
- melhora do SER™;
- redução de cadastros inválidos.
Regras de explicabilidade
Todo Score deve permitir a visualização de seus componentes. Exemplo:
SRE™ — 72: Risco Alto
Principais fatores
- ciclo excedido em 58%;
- frequência caiu 30%;
- volume caiu 22%;
- reclamação recente;
- sem resposta ao último contato.
O sistema não deve exibir apenas a nota.
Regras de privacidade e segurança
O MICC™ deve operar de acordo com:
- finalidade legítima;
- minimização de dados;
- controle de acesso;
- segurança;
- registro de consentimentos quando aplicável;
- direito de correção;
- direito de exclusão conforme obrigação legal;
- proteção de CPF, CNPJ e telefone;
- rastreabilidade das consultas;
- separação entre dado operacional e dado sensível.
Nenhuma classificação deve gerar discriminação indevida.
Papéis técnicos
Administrador MICC™
Configura regras globais.
Analista MICC™
Valida dados, modelos e resultados.
Gestor da unidade
Acompanha indicadores e exceções.
CIA™
Utiliza informações no atendimento.
CIV™
Utiliza oportunidades e potenciais.
CIL™
Utiliza urgência e prioridades operacionais.
CRI™
Executa relacionamento, retenção e recuperação.
Desenvolvedor GLP X
Implementa regras, integrações, auditoria e automações.
Versionamento
Toda alteração deverá possuir:
- número da versão;
- data;
- responsável;
- regra anterior;
- regra nova;
- justificativa;
- impacto esperado;
- período de teste;
- resultado da validação.
Exemplo:
MICC™ Scores 1.2 — Alteração do peso do excesso de ciclo no SRE™ de 25% para 30%.
Ordem técnica de implantação
Fase 1 — Dados
- Padronização;
- identidade única;
- deduplicação;
- validação.
Fase 2 — Indicadores básicos
- Recência;
- frequência;
- ticket;
- volume;
- ciclo;
- regularidade.
Fase 3 — Classificações
- Mercado;
- segmento;
- modalidade;
- estágio;
- valor.
Fase 4 — Scores
- SCR™;
- SRE™;
- SVC™;
- SPC™;
- SER™.
Fase 5 — Previsões
- Recompra;
- evasão;
- recuperação;
- crescimento.
Fase 6 — PMA™
- Recomendação;
- prioridade;
- responsável;
- prazo.
Fase 7 — Automação e aprendizado
- Execução assistida;
- automação autorizada;
- medição;
- recalibração.
Síntese técnica
O MICC™ deverá operar com a seguinte sequência:
Declaração técnica final
O MICC™ não deve transformar qualquer correlação em certeza.
Não deve classificar sem explicar.
Não deve prever sem informar o nível de confiança.
Não deve automatizar sem governança.
Não deve utilizar dados ruins como se fossem confiáveis.
Não deve tratar clientes diferentes com a mesma régua.
Sua arquitetura técnica deve garantir que cada conclusão seja:
- baseada em dados;
- contextualizada;
- rastreável;
- explicável;
- atualizável;
- mensurável;
- acionável.
Dados confiáveis. Classificações dinâmicas. Previsões explicáveis. Ações específicas. Resultados mensuráveis.
GLP 360º — Inteligência aplicada ao conhecimento, relacionamento e crescimento do cliente.